Você quer ensino militar público para seu filho, começou a pesquisar e encontrou dois nomes parecidos: Colégio Militar e Colégio da Polícia Militar. Um site diz que a prova cobra duas matérias, outro diz cinco. Um afirma que são 355 vagas no país inteiro, outro fala em quase 10 mil só num estado. Um menciona sorteio, outro exame classificatório.

Nada disso é contradição. São duas redes completamente diferentes, e confundi-las faz você estudar o conteúdo errado ou perder o prazo certo. Este guia coloca as duas lado a lado e ajuda a decidir qual perseguir.

A diferença em uma frase

Colégio Militar (sem "da Polícia") é do Exército Brasileiro, com processo nacional unificado.

Colégio da Polícia Militar é da Polícia Militar do seu estado, com processo estadual próprio.

Existem ainda escolas mantidas por Corpos de Bombeiros Militares, que seguem a mesma lógica estadual — como o Colégio Militar Dom Pedro II, do CBMDF.

A comparação completa

Colégio Militar Colégio da Polícia Militar
Mantenedor Exército Brasileiro Polícia Militar de cada estado
Abrangência Nacional — 15 unidades em 14 cidades Estadual — varia enormemente
Processo Unificado: um edital, uma prova, mesmo dia no país todo Próprio de cada estado
Seleção Sempre prova Prova ou sorteio, conforme o estado
Matérias na prova Português e Matemática (2) Varia — no Paraná são 5
Redação Produção textual, apto/inapto Varia por estado
Entrada no ensino médio Rara Comum
Gratuito Sim Sim
Obriga carreira militar Não Não

As três linhas do meio são as que mais afetam sua vida prática. Vamos a elas.

Diferença 1: a escala de vagas é incomparável

Este é o dado que mais surpreende quem pesquisa pela primeira vez.

Rede Vagas em uma edição recente
Colégio Militar (Exército) — país inteiro 355
CEPMG (Goiás) — só um estado 9.778
CPM Paraná — só um estado 1.030
CPM Bahia — só um estado 2.792
CPM Ceará — só um estado 482 a 982

A rede do Exército oferta 355 vagas em todo o Brasil. Goiás sozinho oferta quase 10 mil.

Isso não significa que a rede federal seja pior — significa que são escalas diferentes de política pública. A do Exército é pequena e altamente disputada; as estaduais são grandes e capilarizadas, com 82 unidades em Goiás e 16 na Bahia, alcançando o interior.

Se o seu objetivo é acesso a ensino público militar, as redes estaduais são estatisticamente muito mais viáveis.

Diferença 2: prova ou sorteio muda tudo

Na rede do Exército, sempre há prova. A classificação é por desempenho, e um ano de preparação se converte diretamente em chance de vaga.

Nas redes estaduais, convivem dois modelos incompatíveis:

Estado Modelo
Paraná Prova objetiva, 5 matérias
Ceará Prova objetiva classificatória
Goiás Sorteio
Bahia Sorteio eletrônico

A consequência é radical. Em estado de sorteio, estudar não aumenta sua chance de entrar — o que importa é a inscrição correta e no prazo. Em estado de prova, preparação é tudo.

Descobrir qual modelo vale no seu estado é, portanto, o primeiro passo de qualquer planejamento — antes de comprar apostila, contratar reforço ou montar cronograma. Veja Colégio da Polícia Militar: como funciona o concurso de admissão.

Diferença 3: o conteúdo da prova não é o mesmo

Onde há prova nos dois lados, o escopo é diferente — e essa é a armadilha mais cara.

Colégio Militar (Exército): duas matérias objetivas — Matemática e Língua Portuguesa, 20 questões cada — mais uma produção textual de 15 a 30 linhas, avaliada apenas como apto ou inapto. Não há Ciências, História, Geografia nem Inglês.

Colégio da Polícia Militar (Paraná): cinco matérias — Português, Matemática, Ciências, Geografia e História.

Quem se prepara com material do Colégio Militar do Exército e presta o CPM do Paraná chega com três matérias descobertas. O inverso também vale: quem estuda cinco matérias para prestar a rede federal desperdiça tempo em três que não caem.

Para o detalhe da prova federal, veja o que cai na prova do Colégio Militar.

Diferença 4: o ensino médio

Se a criança já passou da idade do 6º ano, essa diferença decide sozinha.

Na rede do Exército, a entrada no 1º ano do ensino médio é rara: numa edição recente, apenas duas unidades no país inteiro ofertaram, com 10 vagas cada — 20 no total nacional.

Nas redes estaduais, a entrada no ensino médio é comum e volumosa. Só o Paraná ofertou 310 vagas de 1ª série do ensino médio numa edição.

Trezentas e dez em um estado, contra vinte no país inteiro. Se o alvo é o ensino médio, a rede estadual é a via realista.

O que é igual nas duas

Vale registrar, porque desfaz mitos comuns:

As duas são gratuitas. Não há mensalidade em nenhuma delas. Há taxa de inscrição no processo — R$ 95,00 tanto na rede do Exército quanto no CPM do Paraná, no ciclo recente.

Nenhuma obriga carreira militar. São escolas de educação básica com regime disciplinar militar. O aluno se forma e vai para onde quiser.

Nenhuma é exclusiva de filho de militar. As duas reservam parte das vagas a dependentes — e as duas mantêm vagas para o público geral.

As duas cobram disciplina formal. Uniforme conferido, hierarquia, pontualidade, formatura. A moldura é parecida.

Como decidir

  1. Comece pela geografia. Existe unidade da rede federal na sua cidade? São só 14 cidades. Se não existe, a decisão está tomada — é a rede estadual.
  2. Veja a série. Se o alvo é o ensino médio, priorize a estadual, salvo se você estiver em Brasília ou Santa Maria.
  3. Descubra o modelo do seu estado. Prova ou sorteio? Isso define se existe preparação a fazer.
  4. Considere tentar as duas. Os calendários costumam não coincidir: a prova da rede federal cai em outubro, e processos estaduais como o do Paraná e o do Ceará correm em novembro. Confirme nos editais.
  5. Se for prova, pegue a lista de matérias de cada uma. É o erro mais comum e o mais fácil de evitar.

Para dimensionar a rede federal, veja a lista de Colégios Militares por cidade. Para treinar no formato de prova cronometrada com desempenho por matéria, faça um simulado grátis.

FAQ

Qual a diferença entre Colégio Militar e Colégio da Polícia Militar?

O Colégio Militar é do Exército Brasileiro, com 15 unidades e processo nacional unificado. O Colégio da Polícia Militar é da PM de cada estado, com edital, calendário e formato de seleção próprios, que variam de um estado para outro.

Qual tem mais vagas?

As redes estaduais, com folga. A rede do Exército ofertou 355 vagas em todo o país numa edição recente; só Goiás ofertou 9.778 no mesmo período.

Os dois cobram prova?

O Colégio Militar do Exército sempre seleciona por prova. Nas redes estaduais depende: Paraná e Ceará usam prova; Goiás e Bahia usam sorteio.

O conteúdo da prova é o mesmo?

Não. A rede do Exército cobra Português e Matemática, mais produção textual apto/inapto. O CPM do Paraná cobra cinco matérias: Português, Matemática, Ciências, Geografia e História.

Qual é melhor para entrar no ensino médio?

A rede estadual. Na rede do Exército, apenas duas unidades ofertaram entrada no ensino médio numa edição recente, com 20 vagas no total nacional; só o Paraná ofertou 310.

Os dois são gratuitos?

Sim. Não há mensalidade em nenhuma das redes. Existe taxa de inscrição no processo seletivo, definida em cada edital.

Preciso ser filho de militar?

Não, em nenhuma das duas. As duas reservam parte das vagas a dependentes de militares e mantêm parte para o público externo.

Dá para tentar as duas no mesmo ano?

Os calendários costumam não coincidir — a prova da rede federal cai em outubro e alguns processos estaduais correm em novembro. Confirme as regras de cada edital antes de contar com isso.

Conclusão

Colégio Militar é do Exército, com processo nacional unificado, 15 unidades e 355 vagas no país. Colégio da Polícia Militar é estadual, com regras próprias de cada PM — e escalas que chegam a 9.778 vagas em um único estado.

Três diferenças decidem o seu planejamento. A escala: as redes estaduais são muito maiores e mais capilarizadas. O modelo de seleção: a federal sempre tem prova, as estaduais variam entre prova e sorteio, e isso define se existe algo a estudar. O conteúdo: duas matérias na federal, cinco em estados como o Paraná — estudar pelo material errado deixa matérias inteiras descobertas.

E se a criança já passou da idade do 6º ano, a decisão praticamente se resolve sozinha: a entrada no ensino médio quase não existe na rede do Exército e é comum nas estaduais.

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