Você quer colocar seu filho no Colégio da Polícia Militar da sua cidade, começou a pesquisar como entrar — e encontrou informações que se contradizem. Um site fala em prova objetiva com cinco matérias. Outro diz que é sorteio. Um terceiro afirma que é só para filho de policial.
Todos podem estar certos. Os Colégios da Polícia Militar são estaduais, e cada estado define seu próprio processo. Não existe uma regra nacional como a dos Colégios Militares do Exército. Este guia explica essa diferença, mostra os modelos que existem na prática e ensina a descobrir qual se aplica ao seu estado.
A diferença que explica toda a confusão
Comece por aqui, porque é a origem de quase todo mal-entendido.
Colégio Militar (sem "da Polícia") é do Exército Brasileiro. Integra o Sistema Colégio Militar do Brasil, com 15 unidades em 14 cidades, processo nacional unificado: um edital, uma prova, aplicada no mesmo dia em todo o país.
Colégio da Polícia Militar (CPM) é da Polícia Militar do seu estado. Cada PM administra sua própria rede, com edital, calendário, formato de seleção e regras próprias. Um estado não tem nada a ver com o outro.
Existem ainda escolas mantidas por Corpos de Bombeiros Militares, que seguem a mesma lógica estadual.
Se você está comparando as duas redes, veja Colégio Militar: como funciona o concurso de admissão e a lista de Colégios Militares por cidade.
Onde existem Colégios da Polícia Militar
A rede estadual é ampla e desigual. Estados com CPM confirmados incluem Paraná (Curitiba, Londrina, Maringá, Cornélio Procópio, Pato Branco e outras), Bahia (16 unidades), Minas Gerais (a rede Colégio Tiradentes, com dezenas de unidades), Santa Catarina, Ceará, Pernambuco (Recife e Petrolina), Goiás, Rondônia e Maranhão, entre outros.
A dimensão varia enormemente: alguns estados têm uma ou duas unidades; outros mantêm redes com mais de quinze escolas espalhadas pelo interior.
Os dois modelos de seleção
Esta é a informação central do guia, e a que resolve a contradição que você encontrou pesquisando.
Modelo 1 — prova objetiva. O candidato faz um exame classificatório e as vagas são preenchidas por ordem de nota. É o modelo do Paraná, por exemplo: prova objetiva aplicada simultaneamente em todas as cidades com unidade, cobrando Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Geografia e História.
Modelo 2 — sorteio. As vagas são distribuídas por sorteio eletrônico, sem prova. É o modelo da Bahia: no processo mais recente, foram 2.792 vagas para as 16 unidades do CPM, definidas em sorteio eletrônico público.
A diferença é radical para o seu planejamento. No primeiro modelo, um ano de preparação muda tudo. No segundo, estudar não altera a chance de entrar — o que muda é garantir a inscrição correta e dentro do prazo.
Descobrir qual modelo vale no seu estado é o primeiro passo, antes de investir em qualquer preparação.
As entradas costumam ser duas — e isso é uma vantagem
Diferente da rede do Exército, onde a entrada no ensino médio é rara, os CPMs em geral ofertam duas portas de entrada com regularidade:
- 6º ano do ensino fundamental — faixa etária em torno de 10 a 12 anos
- 1ª série do ensino médio — faixa etária em torno de 14 a 16 anos
No Paraná, por exemplo, o processo mais recente ofertou 1.030 vagas: 720 no fundamental e 310 no ensino médio. Trezentas e dez vagas de ensino médio em um único estado — contra 20 em todo o país na rede do Exército, no mesmo período.
Se a entrada no ensino médio é o que interessa para a sua família, os colégios da PM costumam ser a via mais realista.
Algumas redes vão além e ofertam educação infantil ou outros anos do fundamental. Confira o edital do seu estado.
A reserva de vagas para filhos de militares
Praticamente todas as redes estaduais reservam parte das vagas a dependentes de policiais e bombeiros militares — mas a proporção varia muito, e é um dado decisivo.
| Estado | Reserva para dependentes | Público externo |
|---|---|---|
| Paraná | 50% preferenciais para filhos e dependentes de militares estaduais | Restante |
| Bahia — capital | 70% | 30% |
| Bahia — interior | 50% | 50% |
O Paraná ainda reserva 5% das vagas para candidatos com deficiência.
A leitura prática: se você não é dependente de militar estadual, o número de vagas efetivamente disputadas por você é bem menor que o total anunciado. Em Salvador, de cada 100 vagas, 30 são do público externo. Faça essa conta antes de dimensionar a concorrência.
E note o contrário do mito: os CPMs não são exclusivos de filhos de policiais. Há vagas para o público geral em todas as redes que examinamos.
Como descobrir as regras do seu estado
Não confie em informação genérica — inclusive nesta página — para o seu caso específico. Faça assim:
- Procure o site da Polícia Militar do seu estado, seção de ensino ou educação. É de lá que sai o edital.
- Identifique o modelo de seleção: prova ou sorteio. Isso define se você tem o que estudar.
- Confira as séries ofertadas naquele ano — nem toda unidade abre as duas entradas em todas as edições.
- Veja a reserva de vagas e calcule quantas efetivamente competem com o seu perfil.
- Anote os prazos. As inscrições dos CPMs costumam cair no segundo semestre, para o ano letivo seguinte — no Paraná, o processo mais recente teve inscrições até outubro e prova em novembro.
- Confirme a taxa e a isenção. No Paraná, a taxa foi de R$ 95,00.
Se o seu estado usa prova, o que estudar
Onde há exame, o conteúdo costuma ser mais amplo que o da rede do Exército. No Paraná, são cinco matérias: Português, Matemática, Ciências, Geografia e História — contra apenas Português e Matemática no concurso dos Colégios Militares do Exército.
Isso muda o plano de estudo por completo. Preparar-se com material do Colégio Militar do Exército deixa três matérias descobertas.
Ainda assim, o núcleo se mantém: Português e Matemática concentram o maior peso e são onde a preparação rende mais. Os métodos valem igual — veja como estudar matemática para o Colégio Militar e como estudar português para o Colégio Militar, adaptando para as matérias adicionais do seu edital.
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FAQ
Como funciona o concurso do Colégio da Polícia Militar?
Depende do estado. Cada Polícia Militar administra sua própria rede, com edital e regras próprias. Alguns estados selecionam por prova objetiva classificatória, outros por sorteio eletrônico.
Colégio da Polícia Militar é o mesmo que Colégio Militar?
Não. O Colégio Militar é do Exército, com processo nacional unificado e 15 unidades. O Colégio da Polícia Militar é estadual, administrado pela PM de cada estado, com regras que variam de um para outro.
Precisa ser filho de policial militar?
Não. Todas as redes que examinamos reservam parte das vagas a dependentes de militares estaduais, mas mantêm vagas para o público externo — de 30% a 50%, conforme o estado e a localidade.
Tem prova ou é sorteio?
Os dois modelos existem. O Paraná usa prova objetiva; a Bahia usa sorteio eletrônico. Confira o edital do seu estado antes de montar qualquer plano de estudo.
Em quais séries dá para entrar?
Em geral, no 6º ano do ensino fundamental e na 1ª série do ensino médio. Algumas redes ofertam também educação infantil ou outros anos. Varia por estado e por edição.
O que cai na prova do Colégio da Polícia Militar?
Onde há prova, o conteúdo costuma ser mais amplo que o da rede do Exército. No Paraná, são cinco matérias: Português, Matemática, Ciências, Geografia e História.
Quanto custa a inscrição?
Varia por estado. No Paraná, a taxa foi de R$ 95,00 no processo mais recente, com pagamento por Pix ou boleto.
Onde encontro o edital?
No site da Polícia Militar do seu estado, na seção de ensino ou educação, ou no site da banca contratada para o processo.
Conclusão
Os Colégios da Polícia Militar são estaduais, e essa única palavra explica toda a confusão que você encontrou pesquisando: cada estado define seu próprio processo, e as informações que parecem se contradizer estão apenas descrevendo estados diferentes.
Dois modelos convivem. Onde há prova, como no Paraná, um ano de preparação faz diferença real — e o conteúdo é mais amplo que o da rede do Exército, com cinco matérias em vez de duas. Onde há sorteio, como na Bahia, estudar não altera a chance; o que importa é a inscrição correta e no prazo.
Antes de qualquer coisa, descubra qual modelo vale no seu estado e quanto das vagas é reservado a dependentes de militares. Sem esses dois dados, você não sabe nem se tem o que estudar, nem qual é a concorrência real.
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