Os Colégios Militares do Exército estão entre as escolas mais disputadas do país, e por um motivo simples: ensino de qualidade reconhecida, gratuito, com estrutura e disciplina que muitas famílias procuram — e vagas em número muito menor que a procura.
Mas o concurso de admissão é mal compreendido. Há confusão sobre quem pode concorrer, sobre em que séries existe entrada e sobre o que a prova cobra. Este guia organiza o processo.
O que são os Colégios Militares
O Sistema Colégio Militar do Brasil é uma rede de escolas do Exército que oferece ensino fundamental e médio. Elas estão em 14 cidades: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Juiz de Fora, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Santa Maria e São Paulo.
Um ponto que precisa ficar claro desde já: estudar num Colégio Militar não torna ninguém militar, nem gera obrigação de seguir carreira nas Forças Armadas. É uma escola — com regime disciplinar próprio e forte formação cívica, mas uma escola. Muitos alunos seguem para concursos militares depois; muitos vão para universidades civis.
Quem pode concorrer
Aqui está a distinção que mais gera dúvida.
O acesso aos Colégios Militares acontece por duas vias. Uma parte das vagas é destinada a dependentes de militares (os chamados amparados), em movimentação por interesse do serviço. A outra parte é oferecida ao público em geral, pelo concurso de admissão — que é o processo tratado neste guia.
Isso explica por que o número de vagas do concurso público é pequeno em relação ao tamanho da rede: a maior parte da capacidade das escolas atende ao primeiro grupo.
As condições exatas de cada via, incluindo quem se enquadra como amparado, constam do edital e das normas do sistema. Confirme antes de se inscrever.
Em que séries existe entrada
O concurso de admissão tem entrada em dois pontos, e apenas dois:
- 6º ano do ensino fundamental — a porta principal, com a maior parte das vagas
- 1º ano do ensino médio — entrada bem mais restrita
No processo seletivo mais recente, referente ao ano letivo de 2027, foram oferecidas 355 vagas no total, sendo 335 para o 6º ano e 20 para o 1º ano do ensino médio, distribuídas entre os colégios.
Repare na proporção: o 1º ano do ensino médio concentrou menos de 6% das vagas — e, mais que isso, essa entrada só foi ofertada em duas unidades, Brasília e Santa Maria (RS), com 10 vagas cada. Nas outras treze, a única porta foi o 6º ano.
A distribuição das 335 vagas do 6º ano nessa edição:
| Vagas | Unidades |
|---|---|
| 30 | Belo Horizonte, Fortaleza, Juiz de Fora, Recife, Rio de Janeiro, Santa Maria |
| 25 | Curitiba |
| 20 | Belém, Brasília, Manaus, Salvador, São Paulo |
| 15 | Porto Alegre |
| 10 | Campo Grande |
| 5 | Vila Militar (RJ) |
Os números variam a cada edição — confirme no edital vigente.
Idade
Os limites de idade são definidos por faixa de nascimento e referenciados a datas específicas do edital, o que os torna incomumente detalhados.
Para o processo referente a 2026, em linhas gerais:
- 6º ano: candidatos precisavam ter menos de 12 anos em 1º de janeiro de 2027, ou completar 10 anos até 31 de dezembro de 2027, conforme a faixa de nascimento
- 1º ano do ensino médio: candidatos precisavam ter menos de 16 anos em 1º de janeiro de 2027, ou faixas equivalentes conforme o mês de nascimento
Como a redação é detalhada e varia por faixa de nascimento, leia o dispositivo exato do edital da sua edição. É o requisito que mais causa indeferimento por erro de cálculo.
Inscrições e taxa
No processo referente a 2026:
| Item | Informação |
|---|---|
| Período de inscrição | 17 de agosto a 17 de setembro de 2026 |
| Taxa | R$ 95,00 |
| Isenção | Solicitação entre 18 e 28 de agosto |
A isenção é destinada a inscritos em programas sociais do governo, e tem prazo próprio, mais curto que o das inscrições — um padrão que se repete em concursos militares e que pega muita gente desprevenida.
Confirme datas e valores no edital vigente.
Como é a prova
A avaliação tem duas partes:
Provas objetivas de Português e Matemática. São as duas únicas matérias objetivas — não há Ciências, História nem Geografia na prova. Na edição mais recente foram 20 questões de cada uma, valendo até 10 pontos por matéria.
Produção Textual. Texto de no mínimo 15 e no máximo 30 linhas.
Ao todo, 40 questões objetivas mais a redação, em cerca de quatro horas e meia.
E há dois detalhes procedimentais decisivos. O primeiro: só é corrigida a produção textual dos candidatos aprovados nas provas objetivas, com nota mínima 5 em Matemática e 5 em Português. O segundo: a produção textual é eliminatória, não classificatória — o resultado sai apenas como "Apto" ou "Inapto", sem somar pontos.
Isso muda a estratégia de preparação por inteiro. Não adianta ser excelente em produção textual e ficar abaixo do mínimo em Matemática, porque o texto sequer será lido. E, mesmo passando, um texto brilhante não melhora sua posição na lista: a classificação é decidida nas 40 questões objetivas.
Para o detalhe do que cada matéria cobra, veja o que cai na prova do Colégio Militar.
Como se preparar
Três orientações que valem para a maioria dos candidatos:
- Garanta o mínimo nas duas objetivas antes de qualquer coisa. Com nota de corte de 5 em cada e correção condicionada, a prioridade absoluta é não ficar abaixo em nenhuma das duas.
- Matemática costuma ser o gargalo. É onde a prova mais separa candidatos e onde o nível mais se distancia do praticado na escola regular.
- Trate a produção textual como treino regular, não como revisão de véspera. Um texto por semana, corrigido, ao longo de meses.
E, como em todo concurso de poucas vagas: resolva provas anteriores desde cedo. É a única forma de calibrar o nível real antes que seja tarde para ajustar o estudo.
Se você está avaliando outros caminhos de ensino militar que começam cedo, veja EPCAR: o que é e como entrar e EPCAR ou Colégio Naval: qual escolher.
Para treinar no formato de prova cronometrada e medir desempenho por matéria, faça um simulado grátis.
FAQ
Quem pode fazer o concurso do Colégio Militar?
O concurso de admissão é aberto ao público em geral, para as vagas destinadas a esse fim. Parte da capacidade das escolas é reservada a dependentes de militares por outra via, prevista nas normas do sistema.
Em quais séries dá para entrar no Colégio Militar?
Apenas no 6º ano do ensino fundamental e no 1º ano do ensino médio. O 6º ano concentra a grande maioria das vagas, e a entrada no ensino médio só existe em algumas unidades — na edição mais recente, apenas Brasília e Santa Maria.
Quantas vagas o concurso oferece?
Na edição mais recente, referente ao ano letivo de 2027, foram 355 vagas: 335 para o 6º ano e 20 para o 1º ano do ensino médio. O número muda a cada edição.
Quanto custa a inscrição?
R$ 95,00 na edição mais recente, com possibilidade de isenção para inscritos em programas sociais, em prazo próprio e mais curto que o das inscrições.
O que cai na prova do Colégio Militar?
Provas objetivas de Português e Matemática, com 20 questões cada, mais uma Produção Textual de 15 a 30 linhas. A produção textual só é corrigida para quem atinge nota mínima 5 nas duas objetivas, e vale apenas como apto ou inapto.
A redação do Colégio Militar serve de desempate?
Não. Ela é eliminatória, não classificatória: sai como "Apto" ou "Inapto" e não soma pontos. A ordem da lista é definida pelas 40 questões objetivas.
Estudar em Colégio Militar obriga a seguir carreira militar?
Não. É uma escola de ensino fundamental e médio, com regime disciplinar próprio, mas sem qualquer obrigação de ingresso nas Forças Armadas.
Em quais cidades existem Colégios Militares?
Em 14 cidades: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Juiz de Fora, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Santa Maria e São Paulo.
Conclusão
O concurso de admissão aos Colégios Militares tem entrada em apenas dois pontos — 6º ano e 1º ano do ensino médio —, com a esmagadora maioria das vagas no 6º ano, e avalia Português, Matemática e Produção Textual.
O detalhe estratégico que mais importa vem em duas partes: a produção textual só é corrigida para quem tira ao menos 5 nas duas objetivas, e ela vale apenas "Apto" ou "Inapto", sem somar pontos. Matemática e Português são, portanto, o filtro e o critério de classificação — a redação é só um portão no meio do caminho.
Confirme sempre idade, prazos e vagas no edital vigente — especialmente a regra de idade, que varia por faixa de nascimento e é a maior causa de indeferimento.
Faça um simulado grátis para treinar no formato cronometrado e veja mais material no blog.