A prova de admissão ao Colégio Militar tem uma estrutura enganosamente simples: duas matérias objetivas e um texto. Só que a regra que liga essas três peças muda completamente a estratégia de estudo — e muita família descobre isso tarde demais.
Este guia detalha o que cai em cada componente, explica a regra que decide quem fica de fora e mostra como distribuir a preparação.
A estrutura da prova
A avaliação tem três componentes:
| Componente | Formato | Pontuação |
|---|---|---|
| Matemática | 20 questões objetivas | até 10 pontos |
| Língua Portuguesa | 20 questões objetivas | até 10 pontos |
| Produção Textual | Texto de 15 a 30 linhas | Apto / Inapto |
São 40 questões objetivas mais a redação, em cerca de quatro horas e meia de prova. Não há Ciências, História, Geografia nem Inglês. O escopo é estreito — o que não significa fácil, porque a profundidade em Português e Matemática compensa a ausência das outras matérias.
A regra que decide tudo: nota mínima 5
Este é o ponto mais importante do processo, e o menos comentado.
Só é corrigida a produção textual dos candidatos aprovados nas provas objetivas, com nota mínima 5 em Matemática e 5 em Português.
As consequências práticas são duras:
- Uma matéria abaixo de 5 elimina, por melhor que seja a outra. Não há compensação entre elas.
- Um texto excelente não salva ninguém que ficou abaixo do mínimo. Ele nem chega a ser lido.
- A ordem de prioridade da preparação é obrigatória: primeiro garantir o mínimo nas duas objetivas, só depois trabalhar a produção textual.
E há uma segunda regra, tão importante quanto: a produção textual é eliminatória, não classificatória. O resultado sai apenas como "Apto" ou "Inapto" — ela não soma pontos e não melhora sua posição na lista. É um portão a atravessar, não um trampolim.
Junte as duas regras e a conclusão é inescapável: a classificação inteira é decidida nas 40 questões objetivas.
É comum ver famílias investindo pesado em aulas de redação enquanto a criança está com dificuldade em Matemática. Pela regra, esse investimento tem retorno zero até o mínimo estar garantido — e, mesmo depois, o ganho é limitado a passar de "Inapto" para "Apto".
Matemática: onde a disputa se decide
Matemática é, para a maioria dos candidatos, o gargalo real.
O conteúdo acompanha o programa da série de origem — 5º ano para quem concorre ao 6º ano, 9º ano para quem concorre ao ensino médio. O que muda em relação à escola é a forma de cobrança.
Três características que definem a prova:
Questões compostas. Uma única questão encadeia mais de uma habilidade: interpretar um enunciado, montar a operação, calcular e verificar. A prova da escola normalmente testa uma coisa por vez.
Resolução de problemas em texto. Boa parte das questões chega em forma de situação-problema. Isso significa que dificuldade de leitura vira erro de matemática — e é por isso que Português e Matemática se reforçam mutuamente nesse concurso.
Raciocínio lógico. Aparece com frequência, cobrando organização de informação mais que conta.
Os blocos mais recorrentes: as quatro operações com números naturais, decimais e frações; razão, proporção e porcentagem; geometria básica (perímetro, área, sólidos); grandezas e medidas; leitura de gráficos e tabelas; e raciocínio lógico. Para o ensino médio, acrescentam-se álgebra e equações no nível do 9º ano.
Português: interpretação em primeiro lugar
Português na prova do Colégio Militar tem a interpretação de texto como componente dominante, com gramática cobrada frequentemente dentro do texto.
O que mais aparece: compreensão e interpretação, inferência (o que o texto sugere sem dizer), classes de palavras, ortografia e acentuação, pontuação, e sentido de palavras no contexto.
A recomendação de estudo é a mesma que vale para Matemática: treine em formato de prova, não em formato de exercício de escola. Gramática estudada em frases soltas prepara mal para questões que partem de um texto.
E há um efeito colateral valioso: melhorar a leitura melhora também o desempenho em Matemática, porque boa parte das questões de exatas chega em forma de problema escrito.
Produção textual: o portão de apto ou inapto
O texto tem entre 15 e 30 linhas, e o resultado sai apenas como "Apto" ou "Inapto" — sem nota, sem pontos somados. É pouco espaço, e isso define quase tudo sobre como escrevê-lo.
Três exigências que a limitação impõe:
Ir direto ao ponto. Não há linhas para introdução ornamental. A ideia central precisa aparecer logo.
Desenvolver, não listar. Duas ideias bem desenvolvidas superam cinco mencionadas de passagem.
Fechar de verdade. Conclusão que apenas repete a introdução desperdiça o espaço mais valioso do texto.
O treino que funciona é regular e corrigido: um texto por semana, ao longo de meses, com alguém apontando o que melhorar. Escrever sem correção consolida os próprios vícios.
Mas calibre o investimento: como o resultado é apenas apto ou inapto, um texto por semana já cumpre a função. Tempo além disso rende mais se for para as objetivas — e esse trabalho só entra em jogo depois de garantido o mínimo nelas.
Como distribuir a preparação
Uma ordem que respeita a regra do concurso:
- Diagnostique as duas objetivas primeiro. Descubra se alguma está abaixo do patamar mínimo. Essa é a informação mais importante da preparação inteira.
- Ataque a mais fraca das duas. Enquanto uma delas estiver em risco, ela é a prioridade — porque é ela que elimina.
- Trabalhe leitura em paralelo, sempre. Rende em Português e em Matemática ao mesmo tempo.
- Adicione a produção textual quando as objetivas estiverem seguras. Uma por semana, corrigida.
- Resolva provas anteriores desde cedo. É o que calibra o nível real, que é bem acima do praticado na escola regular.
Para o funcionamento do concurso — vagas, idade, prazos e as 14 cidades —, veja Colégio Militar: como funciona o concurso de admissão.
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FAQ
O que cai na prova do Colégio Militar?
Provas objetivas de Língua Portuguesa e Matemática, mais uma Produção Textual de 15 a 30 linhas. Não há Ciências, História, Geografia nem Inglês.
Qual a nota mínima na prova do Colégio Militar?
Nota mínima 5 em Matemática e 5 em Português nas provas objetivas. Só quem atinge esse patamar nas duas tem a produção textual corrigida.
A produção textual elimina?
Sim — ela é eliminatória, mas não classificatória. O resultado sai apenas como "Apto" ou "Inapto": um texto inapto elimina, mas um texto ótimo não soma pontos nem melhora sua posição. E ela só é corrigida para quem já passou nas duas objetivas; quem fica abaixo do mínimo não tem o texto lido.
A redação do Colégio Militar serve de desempate?
Não. Como vale apenas apto ou inapto, ela não entra no cálculo da classificação. A ordem da lista é definida pelas 40 questões objetivas de Matemática e Português.
Qual matéria é mais difícil?
Matemática costuma ser o gargalo, principalmente pelas questões compostas e pelas situações-problema em texto.
Cai Ciências na prova do Colégio Militar?
Não. As matérias objetivas são apenas Português e Matemática.
O conteúdo é o da escola?
O programa acompanha a série de origem, mas o nível de exigência e o formato das questões são bem diferentes da prova escolar. Por isso é indispensável resolver provas anteriores.
Quantas linhas tem a redação do Colégio Militar?
De 15 a 30 linhas. O espaço curto exige ir direto ao ponto e desenvolver poucas ideias com profundidade.
Conclusão
A prova do Colégio Militar cobra apenas Português, Matemática e uma produção textual de 15 a 30 linhas — escopo estreito, exigência alta.
Duas regras organizam toda a preparação. A primeira é a nota mínima 5 em cada objetiva: sem ela, o texto nem é corrigido. A segunda é que a produção textual vale apenas "Apto" ou "Inapto", sem somar pontos. Juntas, elas fazem das 40 questões objetivas o lugar onde a classificação inteira se decide.
Comece diagnosticando as duas objetivas, ataque a mais fraca, trabalhe leitura o tempo todo — porque ela rende nas duas — e só então some a produção textual à rotina.
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