Todo mundo que presta o ITA sabe que precisa resolver provas anteriores. O problema é que a maioria faz isso do jeito errado: baixa dez anos de prova, resolve na ordem, corrige, vê que acertou pouco — e conclui que precisa "estudar mais teoria".

Provas anteriores do ITA não são um teste de quanto você já sabe. São a ferramenta que ensina o padrão de raciocínio da banca, que é uma coisa que nenhuma apostila transmite. Este guia mostra como usá-las em cada fase da preparação, por que 1ª e 2ª fase pedem treinos diferentes, e o método que faz cada erro virar ponto.

Por que o ITA exige treino específico

O ITA é considerado, junto com o IME, o vestibular mais difícil do país. E a dificuldade não está no conteúdo listado no programa — está em como ele é cobrado.

As questões costumam encadear conceitos de áreas diferentes numa mesma resolução: um problema de física que exige uma manipulação algébrica não trivial, uma questão de matemática que depende de perceber uma simetria antes de calcular, um enunciado que esconde o caminho em vez de indicá-lo.

Você não desenvolve isso lendo teoria. Desenvolve resolvendo — e, principalmente, entendendo por que não enxergou o caminho quando não enxergou.

Para o panorama da prova, veja ITA: como é a prova.

Duas provas, dois treinos

Este é o ponto que mais gente ignora, e ele muda a rotina de estudo. O ITA tem fases com naturezas completamente diferentes:

Fase Formato Data no ciclo 2027
1ª fase 48 questões objetivas em um dia: 12 de Matemática, 12 de Física, 12 de Química e 12 de Inglês — 5 horas 27 de setembro de 2026
2ª fase Provas escritas em quatro dias seguidos, 4 horas cada: Matemática, Química, Física e Português com redação 20 a 23 de outubro de 2026
3ª fase Inspeção de saúde Etapa posterior

O que isso exige de você:

Para a 1ª fase, treine velocidade e triagem. São 48 questões em 5 horas, e a habilidade decisiva é reconhecer rápido quais questões você resolve, quais deixa para depois e quais abandona.

Para a 2ª fase, treine resolução escrita completa. Aqui não existe alternativa para conferir: você precisa desenvolver o raciocínio no papel, com rigor, e a nota depende de como você demonstra o caminho. Chegar à resposta certa por atalho não é suficiente.

Treinar só objetiva e chegar despreparado à discursiva é um erro clássico — e caro, porque a 2ª fase é onde a aprovação se decide.

Inglês: elimina, mas não classifica

Aqui está a assimetria mais mal compreendida da 1ª fase do ITA, e ela precisa ser dita com precisão.

São 12 questões de Inglês, o mesmo número de Matemática, Física e Química — mas não o mesmo peso. A média final da 1ª fase é calculada sobre os acertos em Matemática, Física e Química. A nota de Inglês é apenas eliminatória.

O que isso significa na prática:

A conclusão é específica: não abandone Inglês, porque ele elimina — mas não invista nele como se classificasse. Garanta com folga o piso e devolva o tempo para as exatas, que são o que efetivamente ordena a lista.

Para o detalhe da classificação, veja nota de corte do ITA.

O método do caderno de erros

Resolver questão nova é confortável e dá sensação de produtividade. Revisar o que você errou é desconfortável e é o que efetivamente move a nota.

Para cada questão errada, registre:

  1. A questão, por ano e número
  2. O que você fez e onde travou
  3. A resolução correta, escrita por você — não copiada
  4. A causa do erro, classificada

A quarta linha é a que importa. Classifique cada erro:

Causa O que fazer
Não sabia o conteúdo Voltar à teoria daquele tópico
Sabia, mas não enxerguei o caminho Mais questões do mesmo padrão — é o erro típico do ITA
Enxerguei, mas travei na álgebra Treinar manipulação algébrica isolada
Erro de conta ou desatenção Mudar o processo de conferência

No ITA, a segunda categoria domina. E o tratamento dela não é mais teoria — é exposição repetida ao padrão de questão até o caminho ficar visível. Quem responde a esse diagnóstico com mais videoaula estaciona.

Refaça as questões erradas duas semanas depois, sem consultar. Se travar de novo, o erro não foi resolvido.

Cronômetro desde o começo

Resolver prova anterior sem cronômetro mede o que você sabe. Com cronômetro, mede o que você entrega no dia — que é a única coisa que conta.

Para a 1ª fase, cronometre a prova inteira: 48 questões, 5 horas. Treine a decisão de abandonar questão travada, que é onde muito candidato perde a prova inteira insistindo em um problema por quarenta minutos.

Para a 2ª fase, cronometre por dia: 4 horas por matéria. E treine quatro dias seguidos pelo menos uma vez antes da prova. A fadiga acumulada do quarto dia é real e ninguém a antecipa.

Um plano em cinco passos

  1. Resolva uma 1ª fase completa e cronometrada agora, mesmo despreparado. É o seu ponto de partida real.
  2. Classifique todos os erros nas quatro causas. Esse é o diagnóstico que define a prioridade.
  3. Use questões por tópico conforme avança no conteúdo — feche cada assunto com questões reais do ITA, não com exercícios de livro.
  4. A partir do meio da preparação, alterne: uma semana de treino objetivo, uma semana de resolução escrita completa no estilo da 2ª fase.
  5. Simule provas completas a cada quatro a seis semanas, e faça pelo menos uma simulação de quatro dias seguidos antes da prova real.

Se você ainda está decidindo entre as duas escolas de engenharia militar, veja ITA ou IME: qual escolher e IME: como é a prova.

Para treinar no formato cronometrado com desempenho separado por matéria e gabarito comentado, faça um simulado grátis.

FAQ

Onde encontro as provas anteriores do ITA?

Na página oficial do Vestibular do ITA, que disponibiliza provas e gabaritos de edições anteriores. Cursinhos também as republicam com resoluções comentadas, o que é útil — mas confira o enunciado na fonte oficial.

Quando começar a resolver provas anteriores do ITA?

Desde cedo. Uma prova de 1ª fase resolvida no começo da preparação mostra o padrão de raciocínio da banca enquanto ainda há tempo de ajustar o plano de estudo.

Como é dividida a prova do ITA?

Três fases: a 1ª com 48 questões objetivas em um dia — 12 de Matemática, 12 de Física, 12 de Química e 12 de Inglês, em 5 horas; a 2ª com provas escritas em quatro dias seguidos, de 4 horas cada, incluindo redação; e a 3ª com inspeção de saúde.

Preciso treinar 1ª e 2ª fase de formas diferentes?

Sim. A 1ª fase exige velocidade e triagem entre alternativas; a 2ª exige resolução escrita completa, com o raciocínio demonstrado no papel. Treinar só objetiva deixa você despreparado onde a aprovação se decide.

Inglês pesa no ITA?

Inglês elimina, mas não classifica. São 12 questões na 1ª fase, mas a média é calculada sobre Matemática, Física e Química — a nota de Inglês é apenas eliminatória. Você precisa do mínimo de acertos para seguir, e acertos além disso não melhoram sua posição.

Quantas provas anteriores devo resolver?

Mais importante que o número é o tratamento dos erros. Quatro provas com caderno de erros bem mantido rendem mais que dez resolvidas e corrigidas superficialmente.

Devo resolver com consulta?

Não na primeira tentativa. Resolva sem consulta e cronometrado; só depois estude a resolução. Consultar durante cria a ilusão de que você saberia fazer sozinho.

Provas muito antigas ainda valem?

O estilo da banca é razoavelmente estável, mas o programa pode ter mudanças pontuais. Priorize as edições mais recentes e use as antigas como volume adicional de treino.

Conclusão

As provas anteriores do ITA não servem para medir quanto você já sabe — servem para ensinar o padrão de raciocínio da banca, que é a habilidade que separa aprovados de candidatos bem preparados na teoria.

Use-as reconhecendo que são dois treinos distintos: 1ª fase pede velocidade e triagem, com Inglês garantido no piso mas sem investimento excessivo — ele elimina, não classifica; 2ª fase pede resolução escrita completa, ao longo de quatro dias seguidos de quatro horas cada. Quem treina só o primeiro chega despreparado exatamente onde a vaga é decidida.

E mantenha o caderno de erros classificando por que você errou. No ITA, a causa dominante quase nunca é falta de teoria — é não ter enxergado o caminho. O tratamento para isso é exposição repetida ao padrão, não mais uma aula.

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