Você quer um número: quanto precisa fazer na primeira fase do ITA para passar. É a pergunta certa, porque com uma meta clara dá para calibrar o estudo — e sem ela, você fica estudando "o máximo possível", que não é um plano.

A boa notícia é que, diferente da maioria dos concursos militares, o ITA divulga notas de corte. A notícia mais útil é que o cálculo por trás delas tem uma assimetria que muda completamente onde vale investir o seu tempo. Este guia explica os dois critérios de aprovação da 1ª fase, como a média é calculada, e que meta de acertos faz sentido perseguir.

Os dois filtros da primeira fase

Para ser habilitado à segunda fase, você precisa passar em dois filtros ao mesmo tempo. Falhar em qualquer um elimina.

Filtro 1 — os mínimos por disciplina. É preciso acertar no mínimo 5 questões em cada uma das quatro disciplinas e obter média final igual ou superior a 5,0. Esse é o piso técnico: zerar ou ir muito mal em uma matéria elimina, mesmo com desempenho excelente nas outras.

Filtro 2 — a classificação. Passar do piso não basta. É preciso estar entre os mais bem classificados, dentro do limite de convocação para a 2ª fase — na referência recente, 560 candidatos da ampla concorrência e 140 de cotistas.

É esse segundo filtro que gera a nota de corte. Ela não é fixada no edital: é a média do último candidato convocado, e portanto varia a cada ano conforme a dificuldade da prova e o desempenho do conjunto.

A assimetria que muda tudo: Inglês elimina, mas não classifica

Aqui está o detalhe mais importante deste guia, e o mais mal compreendido do vestibular do ITA.

A primeira fase tem 48 questões objetivas, distribuídas assim:

Disciplina Questões Entra na média?
Matemática 12 Sim
Física 12 Sim
Química 12 Sim
Língua Inglesa 12 Não — apenas eliminatória

A média final da 1ª fase é calculada sobre os acertos em Matemática, Física e Química. A nota de Inglês é apenas eliminatória.

Traduzindo em decisão de estudo:

A conclusão é específica e contraintuitiva: garanta o piso de Inglês com folga e pare por aí. Cada hora além disso deveria ir para as exatas, que são as três matérias que ordenam a lista.

As notas de corte de referência

Em uma edição recente, as notas de corte da primeira fase ficaram assim:

Modalidade Nota de corte
Ampla concorrência 7,1805
Cotas raciais 6,4777

Duas leituras importantes desses números.

Primeira: eles são de uma edição específica. Não são meta oficial nem se repetem. Servem de referência de ordem de grandeza — o corte fica na faixa de 6 a 7 e poucos, não em 5,0.

Segunda: 7,18 de média sobre Matemática, Física e Química é alto. Numa escala em que a média sai dos acertos nas três exatas, isso significa acertar consistentemente bem acima de dois terços em cada uma. Passar do piso de 5,0 é muito diferente de ser convocado.

Vagas e funil

O vestibular seleciona 180 novos alunos por ano para os cursos de engenharia do ITA.

Compare com o limite de convocação para a 2ª fase — 560 da ampla concorrência mais 140 de cotistas — e o funil fica visível:

  1. Milhares de inscritos fazem a 1ª fase
  2. Cerca de 700 são convocados para a 2ª fase
  3. 180 entram

Ou seja, mesmo entre os convocados para a segunda fase, menos de um em cada três chega à matrícula. É por isso que treinar apenas o formato objetivo é insuficiente: a 2ª fase, com provas escritas em quatro dias seguidos, é onde a aprovação realmente se decide. Veja provas anteriores do ITA e ITA: como é a prova.

Que meta de acertos faz sentido

Com as notas de corte de referência na faixa de 6,5 a 7,2, dá para trabalhar com metas concretas:

  1. Garanta o piso primeiro. No mínimo 5 acertos em cada disciplina, incluindo Inglês. Enquanto qualquer uma estiver abaixo em simulado, ela é prioridade absoluta — porque elimina.
  2. Mire dois terços ou mais nas exatas. Como a média sai de Matemática, Física e Química, uma meta de trabalho razoável é 8 ou mais acertos em cada uma das três, de 12. Isso coloca você acima da faixa de corte recente, com alguma margem.
  3. Em Inglês, mire uma folga segura sobre o mínimo — o suficiente para não depender de sorte na anulação de uma questão. Depois disso, pare.
  4. Trate "não ser eliminado" e "ser convocado" como objetivos diferentes. O piso é 5,0; o corte recente foi 7,18. Há um abismo entre os dois, e ele é preenchido só com exatas.
  5. Não persiga notas de corte antigas como se fossem meta. Elas variam por edição. Use como referência de ordem de grandeza, não como número a bater.

Para o método por matéria, veja como estudar matemática para o ITA e como estudar física para o ITA.

Para medir onde você está hoje, faça um simulado grátis e veja o desempenho separado por matéria — que é exatamente a informação que a regra dos mínimos exige.

FAQ

Qual a nota de corte do ITA?

Em uma edição recente, foi 7,1805 para a ampla concorrência e 6,4777 para as cotas raciais, na primeira fase. A nota de corte não é fixada no edital: é a média do último candidato convocado, e varia a cada ano.

Como é calculada a média da primeira fase do ITA?

Sobre o total de acertos em Matemática, Física e Química. A nota de Inglês é apenas eliminatória e não entra no cálculo da média.

Inglês conta pontos no ITA?

Não para a classificação. Inglês é eliminatório — você precisa do mínimo de acertos —, mas os pontos não entram na média que ordena a lista.

Qual o mínimo de acertos por disciplina?

Na referência recente, no mínimo 5 questões em cada uma das quatro disciplinas, além de média final igual ou superior a 5,0. Confirme no edital vigente.

Quantos candidatos passam para a segunda fase?

Na referência recente, 560 da ampla concorrência e 140 de cotistas. Passar dos mínimos não garante convocação: é preciso estar dentro desse limite.

Quantas vagas o ITA oferece?

180 vagas por ano para os cursos de engenharia. Isso significa que, mesmo entre os cerca de 700 convocados para a segunda fase, menos de um em cada três é aprovado.

Passar do 5,0 garante vaga na segunda fase?

Não. O 5,0 é o piso para não ser eliminado; a convocação depende da classificação dentro do limite de vagas da etapa. As notas de corte recentes ficaram bem acima disso.

A nota de corte do ITA muda todo ano?

Sim. Ela depende da dificuldade da prova e do desempenho do conjunto de candidatos naquela edição, por isso números de anos anteriores servem como referência aproximada, não como meta.

Conclusão

O ITA tem dois filtros na primeira fase, e você precisa passar nos dois: os mínimos por disciplina — ao menos 5 acertos em cada uma das quatro e média igual ou superior a 5,0 — e a classificação dentro do limite de convocação, que na referência recente foi de 560 candidatos da ampla concorrência e 140 de cotistas.

A nota de corte que sai disso ficou em torno de 7,18 numa edição recente, bem acima do piso de 5,0. Passar do mínimo e ser convocado são coisas muito diferentes.

E o detalhe que mais deveria mudar sua rotina: Inglês elimina, mas não classifica. A média sai só de Matemática, Física e Química. Garanta o piso de Inglês com folga, e devolva todo o resto do tempo às exatas — é ali, e só ali, que a sua posição na lista é construída.

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