"Qual é o mais fácil?" é a pergunta que todo candidato faz e que quase ninguém responde direito — porque a resposta honesta depende de três coisas diferentes que costumam ser misturadas: quantas vagas existem, quantos disputam, e o que a prova cobra.
Um concurso com prova difícil e pouca gente pode ser mais acessível que um de prova fácil e multidão. Este artigo separa esses fatores para ESA, EEAr e EsPCEx, para você decidir com critério em vez de reputação.
Primeiro: elas não formam a mesma coisa
Antes de comparar dificuldade, uma distinção que muda tudo.
| Escola | Força | Forma | Carreira |
|---|---|---|---|
| ESA | Exército | Sargento | Praça graduada |
| EEAr | Aeronáutica | Sargento | Praça graduada |
| EsPCEx | Exército | Cadete → Oficial | Oficial de carreira |
ESA e EEAr formam sargentos. A EsPCEx é a porta de entrada para a AMAN e forma oficiais — carreira mais longa, teto salarial mais alto e formação mais extensa.
Isso significa que comparar as três por dificuldade só faz sentido se você estiver genuinamente aberto às duas carreiras. Se o seu objetivo é ser oficial, a EsPCEx não tem substituto na lista, por mais acessível que a ESA pareça. Para essa decisão, veja sargento ou oficial: qual carreira seguir e ESA ou EsPCEx: qual escolher.
O que torna um concurso "difícil"
Três fatores independentes, que vale separar:
1. Concorrência (candidatos por vaga). É o fator que mais mexe na nota de corte. Muitos candidatos para poucas vagas empurra o corte para cima.
2. Nível da prova. Prova mais difícil derruba a nota de todo mundo — e, portanto, derruba a nota de corte. Contraintuitivamente, corte baixo muitas vezes indica prova difícil, não concurso fácil.
3. Etapas eliminatórias além da prova. TAF, inspeção de saúde e, em alguns casos, redação e prova discursiva. Um candidato forte na teoria pode ser eliminado aqui.
Quem pergunta "qual é mais fácil" geralmente quer saber o fator 1. Mas quem passa é quem também considerou o 3.
Volume de vagas e concorrência
ESA. Na edição de 2026, ofereceu 1.100 vagas para o Curso de Formação de Sargentos, entre as áreas Geral/Aviação, Música e Saúde. O dado mais relevante do momento é a tendência: entre 2022 e 2025, o número de inscritos caiu cerca de 52% — de aproximadamente 149 mil para 72 mil. Isso levou as notas de corte de 2025 aos menores patamares já registrados na área Geral: 4,982 para homens na ampla concorrência e 5,816 para mulheres.
EEAr. Tem uma característica estrutural que muda a conta: realiza dois concursos por ano para o Curso de Formação de Sargentos (CFS 1 e CFS 2). Duas oportunidades anuais significam duas chances de aprovação no mesmo ano e um acervo maior de provas anteriores para treinar. A prova tem cerca de 96 questões, com nota mínima por matéria — um detalhe importante, porque não basta compensar uma matéria fraca com outra forte.
EsPCEx. Menos vagas que a ESA, prova em dois dias e nível notoriamente mais alto, especialmente em Matemática e Física. Forma oficiais, o que naturalmente atrai um perfil de candidato mais preparado.
Números exatos de vagas e inscritos mudam a cada edição — confirme sempre no edital vigente de cada escola.
Comparação de formato das provas
| ESA | EEAr | EsPCEx | |
|---|---|---|---|
| Questões | 50 | ~96 | Prova em dois dias |
| Duração | 4 horas | ~4h20 | Dois períodos |
| Matérias | Mat, Port, Inglês, Hist, Geo | Mat, Port, Inglês, Física | Mat, Port, Inglês, Física, Química, Hist, Geo |
| Nota mínima por matéria | Não | Sim | Conforme edital |
| Redação | Sim | Não | Sim |
A ESA tem o menor escopo. Cinco matérias, sem Física nem Química. Para quem tem dificuldade com ciências exatas além de Matemática, é a prova de conteúdo mais enxuto.
A EEAr cobra Física e tem nota mínima por matéria — se você zerar em uma disciplina, não adianta a média. Em compensação, não tem redação e oferece duas chances por ano.
A EsPCEx é a mais ampla e a mais difícil em conteúdo. Física e Química entram, e o nível de Matemática é superior ao das outras duas. É coerente com o fato de formar oficiais.
Para o detalhe de cada uma, veja como é a prova da ESA, o que cai na prova da EEAr e como é a prova da EsPCEx.
Então, qual é o mais fácil?
Com as ressalvas todas postas, uma resposta prática:
Para a maioria dos candidatos de ensino médio, a ESA é a porta mais acessível. Menor escopo de conteúdo (sem Física e Química), maior volume de vagas entre as três, e uma queda histórica de concorrência nos últimos anos que levou as notas de corte aos menores níveis já registrados.
A EEAr é a segunda mais acessível, com uma vantagem própria: duas oportunidades por ano. Quem não passa no CFS 1 tenta o CFS 2 no mesmo ano. O custo é estudar Física e lidar com a nota mínima por matéria.
A EsPCEx é a mais difícil das três — e deveria ser, já que forma oficiais. Escopo maior, nível mais alto e menos vagas.
Duas ressalvas importantes. Primeiro: "mais acessível" continua significando um concurso com dezenas de milhares de candidatos. Segundo: a tendência favorável da ESA pode se reverter — um edital com menos vagas ou uma recuperação no número de inscritos muda o quadro.
O critério que importa mais que a dificuldade
Escolher pelo concurso "mais fácil" costuma ser um mau negócio, por um motivo simples: você vai passar anos na carreira que escolher, e poucos meses na prova.
Um critério melhor combina três perguntas:
- Que carreira eu quero? Sargento e oficial são trajetórias diferentes em formação, atribuições, progressão e teto salarial.
- Qual prova combina com meu perfil? Se você é forte em exatas, a EsPCEx deixa de ser tão desvantajosa. Se sua força é linguagens e humanas, a ESA joga a seu favor.
- Dá para tentar mais de uma? Frequentemente sim. As datas costumam não colidir, e o conteúdo se sobrepõe bastante em Matemática, Português e Inglês. Prestar duas no mesmo ano multiplica suas chances com pouco custo marginal de estudo.
Essa última é a resposta que mais gente deveria adotar. Para avaliar, veja EEAr ou ESA: qual escolher.
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FAQ
Qual concurso militar é mais fácil: ESA, EEAr ou EsPCEx?
Para a maioria dos candidatos, a ESA tende a ser a mais acessível: menor escopo de conteúdo, maior volume de vagas e uma queda de concorrência que levou as notas de corte de 2025 aos menores níveis já registrados. A EsPCEx é a mais difícil das três.
Qual tem mais vagas?
A ESA, com 1.100 vagas na edição de 2026. Os números variam a cada edital.
A EEAr é mais fácil que a ESA?
Depende do seu perfil. A EEAr cobra Física e tem nota mínima por matéria, o que a torna mais exigente nesse aspecto; em compensação, não tem redação e oferece duas oportunidades por ano.
Dá para prestar ESA e EEAr no mesmo ano?
Em geral sim, e é uma estratégia comum, já que as datas costumam não coincidir e boa parte do conteúdo se sobrepõe. Confirme o cronograma de cada edital.
A EsPCEx vale mais a pena por formar oficiais?
Vale se o seu objetivo é a carreira de oficial, que tem formação mais longa e teto salarial mais alto. Não é uma questão de "valer mais", e sim de qual trajetória você quer.
Nota de corte baixa significa concurso fácil?
Não necessariamente. Corte baixo pode indicar prova difícil, em que todos foram mal, ou queda no número de candidatos. Na ESA dos últimos anos, o fator dominante foi a queda de inscritos.
Qual devo escolher se ainda não sei o que quero?
Comece pela decisão sargento ou oficial, que é a mais estruturante. Definida essa, escolha pela prova que melhor combina com seu perfil de matérias — e considere prestar mais de uma no mesmo ano.
Conclusão
Entre as três, a ESA tende a ser a porta mais acessível hoje: escopo menor, mais vagas e concorrência em queda histórica. A EEAr vem em seguida, com a vantagem singular de duas chances por ano e o custo de Física e da nota mínima por matéria. A EsPCEx é a mais difícil, coerentemente com o fato de formar oficiais.
Mas a pergunta melhor não é qual é mais fácil, e sim qual carreira você quer — e se dá para prestar mais de uma no mesmo ano, o que para muitos candidatos é a resposta certa.
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