Você quer ser sargento das Forças Armadas, tem ensino médio e está diante das duas portas de entrada mais buscadas do país: a ESA, que forma sargentos de carreira do Exército, e a EEAr, que forma sargentos especialistas da Aeronáutica. As duas oferecem estabilidade, remuneração equivalente e carreira sólida — mas as provas, o perfil de candidato e o dia a dia da profissão são bem diferentes. Escolher errado custa meses de estudo na direção errada.

Este guia coloca as duas lado a lado: o que cada escola forma, como as provas se comparam matéria a matéria, requisitos, carreira e salário — com tabela comparativa — e a resposta pra pergunta que quase ninguém faz direito: será que você precisa mesmo escolher uma só?

O que cada escola forma

A ESA (Escola de Sargentos das Armas) forma o sargento de carreira do Exército. O concurso oferece áreas distintas (Geral/combatente, Aviação, Saúde e Música), e o curso — realizado em escolas do Exército, com sede histórica em Três Corações (MG) — dura cerca de dois anos entre formação e qualificação, já com remuneração de aluno. Ao final, você é promovido a 3º sargento e segue pra uma unidade do Exército.

A EEAr (Escola de Especialistas de Aeronáutica), em Guaratinguetá (SP), forma o sargento especialista da Força Aérea. A palavra-chave é "especialista": o CFS (Curso de Formação de Sargentos) qualifica você numa especialidade técnica — como mecânica de aeronaves, eletrônica, controle de tráfego aéreo ou meteorologia —, e sua carreira gira em torno dela. O curso também dura cerca de dois anos, com remuneração durante a formação. Confirme duração e especialidades no edital vigente.

Resumindo o perfil: a ESA aponta pra uma carreira militar mais "de tropa" (com variações por área); a EEAr, pra uma carreira técnica dentro da aviação militar.

As provas comparadas: onde mora a maior diferença

Aqui está o fator que deveria pesar mais na sua decisão, porque define o que você vai estudar pelos próximos meses:

As consequências práticas:

  1. Física só existe na EEAr — e vale um quarto da prova. Se você nunca estudou física, esse é o maior custo de migrar pra EEAr.
  2. História, Geografia e redação só existem na ESA. Quem escreve bem e gosta de humanas tem aí uma vantagem que a EEAr não mede.
  3. Exatas pesam mais na EEAr: matemática + física = 50% da prova. Na ESA, matemática é a maior fatia individual, mas humanas somadas equilibram o jogo.

Perfil de exatas → a EEAr favorece você. Perfil de humanas e boa escrita → a ESA aproveita melhor seus pontos fortes.

Requisitos comparados

Os dois concursos pedem ensino médio completo (ou em conclusão até a matrícula) e têm faixas etárias parecidas — em torno de 17 a 24 anos na ESA (área Geral; Saúde e Música vão além) e 17 anos até não completar 25 na EEAr, sempre contando até a data de referência do edital. Ambos abrem vagas pra homens e mulheres e aplicam etapas eliminatórias além da prova: inspeção de saúde, avaliação psicológica e teste físico (TAF no Exército, TACF na Aeronáutica). A ESA exige estatura mínima (1,60 m masculino, 1,55 m feminino na referência recente); na EEAr, exigências físicas e médicas variam conforme a especialidade. Como esses limites mudam de edição pra edição, confirme tudo no edital vigente antes de se inscrever.

Carreira e salário: praticamente empatados

Aqui vem a boa notícia pra quem está em dúvida: o soldo é o mesmo. A tabela de remuneração dos militares é única pras três Forças — em 2026, o soldo do 3º sargento é de R$ 4.177, e a remuneração bruta inicial, somados adicionais como o militar e o de disponibilidade, fica na casa dos R$ 5,5 mil a R$ 5,7 mil (valores de 2026; confira os detalhes no guia de quanto ganha um sargento da ESA, que vale como referência de faixa pras duas Forças).

A progressão também é espelhada: 3º sargento → 2º sargento → 1º sargento → suboficial (na FAB) ou subtenente (no Exército). O que muda é o conteúdo do trabalho: no Exército, a rotina varia conforme a área e a arma; na Aeronáutica, você cresce dentro da sua especialidade técnica — um caminho que, pra muitos, também abre portas no mercado civil (manutenção aeronáutica e controle de tráfego, por exemplo).

Tabela comparativa: EEAr × ESA

Critério EEAr ESA
Força Aeronáutica (FAB) Exército
Forma Sargento especialista Sargento de carreira
Escolaridade Ensino médio Ensino médio
Idade (referência recente) 17 a menos de 25 anos 17 a 24 anos (área Geral)
Prova 96 questões, 4 matérias ~50 questões + redação
Física na prova Sim (24 questões) Não
História/Geografia Não Sim
Redação Não (referência recente) Sim
Turmas por ano 2 (CFS 1 e CFS 2) 1
Vagas recentes ~190–210 por turma ~1.100 (2026)
Local do curso Guaratinguetá (SP) Três Corações (MG) e escolas por área
Soldo de 3º sargento (2026) R$ 4.177 R$ 4.177

Números de vagas e idade variam por edição — use a tabela como mapa e confirme no edital vigente.

Dá pra tentar as duas?

Dá — e, se a idade e o calendário permitirem, costuma ser a jogada mais inteligente. Os concursos são independentes, com editais e datas próprios, e a EEAr ainda oferece duas chances por ano. O truque é organizar o estudo em dois níveis:

Quem estuda o núcleo comum com profundidade e adiciona os módulos específicos multiplica as chances de farda sem dobrar o esforço. Os guias de como passar na EEAr e como passar na ESA detalham o plano de cada uma — e, se a sua dúvida for entre praça e oficial, veja também ESA ou EsPCEx: qual escolher.

FAQ

Qual é mais fácil: EEAr ou ESA?

Nenhuma é fácil — as duas são decididas por classificação com milhares de candidatos. A percepção de dificuldade depende do seu perfil: a EEAr pesa mais em exatas (física + matemática = metade da prova), a ESA cobra humanas e redação. A "mais fácil" é a que combina com seus pontos fortes.

O salário de sargento da Aeronáutica é igual ao do Exército?

Sim. A tabela de soldo é única pras Forças Armadas: em 2026, o 3º sargento recebe soldo de R$ 4.177, com remuneração bruta inicial na faixa de R$ 5,5 mil a R$ 5,7 mil somados os adicionais. Gratificações específicas podem variar conforme função e especialidade.

Posso me inscrever na EEAr e na ESA ao mesmo tempo?

Pode. São concursos independentes, de Forças diferentes, com editais e provas em datas próprias. Muitos candidatos prestam os dois no mesmo ciclo, aproveitando que Português, Matemática e Inglês caem em ambos.

A EEAr tem redação?

Na referência mais recente, não — a seleção da EEAr é decidida integralmente pelas 96 questões objetivas. Já a ESA cobra redação além da prova objetiva. Confirme o formato no edital de cada edição.

Qual a diferença de idade entre EEAr e ESA?

As faixas são próximas: na EEAr, a referência recente pede ter 17 anos e não completar 25 até a data definida no edital; na ESA, de 17 a 24 anos na área Geral (Saúde e Música admitem idades maiores). Cada edital fixa sua data de corte — confirme antes de se inscrever.

A EEAr tem mais chances por ano que a ESA?

Sim. A EEAr costuma abrir duas turmas por ano (CFS 1 e CFS 2), cada uma com seu edital e sua prova, enquanto a ESA tem um concurso anual. Em compensação, a ESA costuma ofertar mais vagas por edição.

Conclusão

EEAr e ESA levam ao mesmo patamar — 3º sargento, mesma faixa salarial, carreira estável — por caminhos diferentes: a EEAr forma o especialista técnico da FAB com uma prova de exatas pesadas e sem redação; a ESA forma o sargento de carreira do Exército com prova mais enciclopédica e redação. Decida pelo seu perfil de prova e pelo estilo de carreira — ou, melhor ainda, monte o núcleo comum e tente as duas. Seja qual for o caminho, a preparação é a mesma no fundamento: resolver questões no formato real, sob tempo, corrigindo por matéria. Comece com um simulado grátis — questões cronometradas, correção por matéria e gabarito comentado — e explore os guias de concursos militares pra comparar todas as opções.