Pergunte a dez candidatos o que mais cai de português na ESA e nove vão responder crase e concordância. É o que os cursinhos enfatizam, é o que dá aquela sensação de "pegadinha clássica", e é onde a maioria concentra o estudo.
Fomos contar. Classificamos 112 questões de português de provas anteriores da ESA, de 2013 a 2025, e o resultado desmente o senso comum de forma bem direta: crase, concordância, pontuação e colocação pronominal somadas valem menos de 10% da prova. Enquanto isso, literatura sozinha vale o dobro disso.
Metodologia: o que foi contado
Antes do ranking, o método — para você julgar o peso do que vem a seguir.
Classificamos 112 questões de português de provas anteriores da ESA, presentes no banco do Simulado Militar, distribuídas assim:
| Ano | Questões | Ano | Questões |
|---|---|---|---|
| 2013 | 9 | 2020 | 9 |
| 2014 | 9 | 2021 | 13 |
| 2015 | 7 | 2022 | 8 |
| 2016 | 9 | 2023 | 5 |
| 2017 | 10 | 2024 | 3 |
| 2018 | 11 | 2025 | 10 |
| 2019 | 9 | Total | 112 |
Duas ressalvas honestas:
- Não é o censo de todas as provas. É a contagem das questões catalogadas em nosso banco. A cobertura varia por ano — 2024 entra com 3 questões e 2021 com 13.
- A classificação é por tema dominante. Português é uma matéria em que os assuntos se sobrepõem: uma questão de interpretação pode exigir análise sintática, e uma de literatura pode cobrar figura de linguagem. Cada questão foi contada uma única vez, pelo que ela principalmente testa.
Com 112 questões ao longo de 13 edições, os blocos grandes são confiáveis. Os pequenos são indicativos.
Ranking dos assuntos que mais caem
| # | Bloco | Questões | % |
|---|---|---|---|
| 1 | Sintaxe e análise do período | 24 | 21,4% |
| 2 | Literatura | 22 | 19,6% |
| 3 | Interpretação e semântica | 21 | 18,8% |
| 4 | Morfologia e formação de palavras | 17 | 15,2% |
| 5 | Norma culta pontual (crase, concordância, pontuação, colocação) | 10 | 8,9% |
| 6 | Acentuação e ortografia | 9 | 8,0% |
| 7 | Outros (figuras de linguagem, conjunções, regência) | 9 | 8,0% |
O que esse ranking contradiz
Literatura é o segundo maior bloco — quase 20% da prova. Escolas literárias, autores, obras e análise de poema aparecem em praticamente toda edição, às vezes em três ou quatro questões. Barroco, Romantismo, Parnasianismo, Simbolismo, Realismo e Modernismo são recorrentes, e Machado de Assis aparece com frequência desproporcional. É o bloco mais negligenciado por quem estuda "gramática para concurso".
E é o de melhor custo-benefício: literatura é conteúdo objetivo e memorizável, com um repertório finito de escolas e características. Uma semana bem usada aqui rende mais que uma semana revisando crase.
Crase e concordância são muito menos do que a fama. Somadas a pontuação e colocação pronominal, dão 10 questões em 112 — menos de 9%. São regras fechadas e vale saber, mas não é onde está o peso da prova.
Interpretação é quase um quinto. Vinte e uma questões, e crescendo nas edições recentes: a banca tem usado cada vez mais textos-base, incluindo textos de temática militar — hino, canções, biografias de militares. Interpretação não se resolve decorando regra.
O que o ranking confirma
Sintaxe é o rei. Vinte e quatro questões, o maior bloco. Função sintática de termos, classificação de orações subordinadas, tipos de sujeito, e as duas estrelas da banca: o "que" (pronome relativo, conjunção integrante, partícula expletiva) e o "se" (pronome apassivador, índice de indeterminação do sujeito, parte integrante do verbo).
Se você domina "que" e "se" nas suas várias funções, já resolveu uma parcela relevante da prova. Se não domina, vai errar questão em toda edição.
Como priorizar seu estudo de português
Frequência sozinha não decide a ordem — ela se cruza com quanto tempo cada bloco leva para render.
- Comece por sintaxe. É o maior bloco e o que mais reaparece dentro de outras questões. Foque em funções sintáticas, orações subordinadas e nas funções do "que" e do "se".
- Coloque literatura logo em seguida. Quase 20% da prova, conteúdo fechado e memorizável. É a maior oportunidade subaproveitada da matéria.
- Trate interpretação como treino, não como estudo. Não há teoria a decorar: há questões a resolver. Uma ou duas por dia, com atenção ao comando do enunciado.
- Morfologia depois. Classes de palavras, formação de palavras e flexão verbal — bloco médio, de regras razoavelmente objetivas.
- Acentuação e norma culta pontual por último. Juntas dão 19 questões, mas são as regras mais fechadas e de aprendizado mais rápido. Rendem bem numa revisão de reta final.
Note que essa ordem é quase o inverso do que a maioria faz. Quem começa por crase está começando pelo bloco menor e mais fácil, e chega à prova sem repertório de sintaxe e literatura.
Para o método de estudo de cada bloco, veja como estudar português para a ESA. Para ver questões reais resolvidas com a armadilha de cada uma, veja questões de português da ESA resolvidas. E a distribuição de todas as matérias está em matérias que caem na ESA.
Português pesa tanto quanto matemática
Vale lembrar o contexto: Português vale 14 das 50 questões do Exame Intelectual da Área Geral — 28% da prova, exatamente o mesmo peso de Matemática. Juntas, as duas decidem 56% do caderno.
Isso significa que uma hora investida em sintaxe rende o mesmo que uma hora investida em funções. Muita gente trata Português como a matéria "que se sabe de casa" e concentra o esforço em Matemática — e é assim que se perde ponto barato numa matéria em que o conteúdo é finito e previsível.
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FAQ
Qual assunto mais cai em português na ESA?
Na contagem de 112 questões das provas de 2013 a 2025, sintaxe e análise do período lidera com 24 questões (21,4%), seguida de literatura com 22 (19,6%) e interpretação com 21 (18,8%).
Cai literatura na prova de português da ESA?
Sim, e bastante: quase 20% das questões contadas. Escolas literárias, autores e análise de poema aparecem em praticamente toda edição, com destaque para Barroco, Romantismo, Parnasianismo, Simbolismo, Realismo e Modernismo.
Crase cai muito na ESA?
Menos do que se imagina. Crase, concordância, pontuação e colocação pronominal somadas deram 10 questões em 112 — menos de 9%. São regras que vale saber, mas não são o centro da prova.
Quantas questões de português tem a prova da ESA?
São 14 questões de Português em um total de 50 no Exame Intelectual da Área Geral, o mesmo peso de Matemática. Confirme no edital vigente.
Por onde começar a estudar português para a ESA?
Por sintaxe — o maior bloco — com atenção especial às funções do "que" e do "se". Literatura vem logo depois, por ser conteúdo fechado e de alto retorno.
Essa contagem vale para as próximas provas?
É um indicativo forte, porque o padrão da banca tem se mantido estável ao longo de 13 edições. Ainda assim é histórico, não garantia — o edital vigente é sempre a referência oficial do conteúdo.
Por que a contagem tem menos questões em alguns anos?
Porque reflete o que está catalogado em nosso banco, não todas as questões de todas as provas. Por isso os blocos grandes são confiáveis e os pequenos devem ser lidos como indicativos.
Conclusão
A contagem diz algo que contraria a rotina da maioria: português na ESA se decide em sintaxe, literatura e interpretação — 67 das 112 questões, quase 60% da matéria. Crase e concordância, que dominam o estudo do candidato típico, valem menos de 9%.
Inverta a ordem. Comece por sintaxe, com foco nas funções do "que" e do "se". Coloque literatura em seguida, porque é conteúdo fechado com retorno rápido. Trate interpretação como treino diário. E deixe as regras fechadas para a revisão da reta final, que é onde elas rendem mais.
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