Português na ESA tem um problema específico: você fala a língua todo dia, então tudo parece familiar. Você lê a alternativa, ela "soa certa", você marca. E erra. Porque a banca não cobra o português que você fala — cobra a norma culta, que em vários pontos contraria justamente o que soa natural.
É por isso que estudar português por intuição não funciona. Neste artigo você vai resolver cinco questões que caíram de verdade em provas da ESA, entre 2015 e 2025, com a resolução passo a passo e a pegadinha específica de cada uma. Crase, concordância verbal, concordância nominal, colocação pronominal e interpretação — os cinco pontos onde a banca mais derruba candidato.
O que cai de português na ESA
Português vale 14 das 50 questões do Exame Intelectual da Área Geral — 28% da prova, o mesmo peso de Matemática. Juntas, as duas decidem mais da metade do caderno.
O conteúdo se concentra em blocos previsíveis:
| Bloco | O que a banca cobra |
|---|---|
| Sintaxe | Funções sintáticas, período composto, orações subordinadas |
| Concordância | Verbal (verbos impessoais, sujeito posposto) e nominal |
| Crase | Regência + artigo, casos proibidos, "àquela/àquele" |
| Colocação pronominal | Próclise, mesóclise e ênclise |
| Pontuação | Vírgula, sujeito/verbo/complemento, aposto e vocativo |
| Morfologia | Classes de palavras, formação de palavras, acentuação |
| Interpretação | Sentido no contexto, polissemia, sinonímia |
| Literatura | Escolas literárias e suas características |
Para o plano completo de estudo dessa matéria, veja como estudar português para a ESA. Se você também vai enfrentar a parte discursiva, vale entender como funciona a redação da ESA. E a distribuição de todas as matérias está em matérias que caem na ESA.
As cinco questões abaixo são reais, de provas anteriores da ESA. Resolva cada uma antes de ver a solução.
5 questões de português da ESA resolvidas
Questão 1 — Crase (ESA 2018)
Marque a alternativa em que o sinal indicativo da crase foi empregado de acordo com a norma culta:
(a) Iremos àquela reunião após o almoço.
(b) Após a gravidez, começou à praticar ioga.
(c) Pedi à ela que tivesse calma.
(d) Ele não fica próximo à pessoas que falam demais.
(e) Ela irá embora daqui à quinze minutos.
Resolução. Crase é a fusão da preposição a com o artigo a (ou com o a inicial de aquele/aquela). Para haver crase, os dois precisam estar presentes.
Na alternativa (a): o verbo ir pede a preposição a (quem vai, vai a algum lugar). E o demonstrativo é aquela. Preposição + aquela = àquela. Correto.
Resposta: (a)
A armadilha. As outras quatro são os casos proibidos clássicos, e vale decorar a lista:
- Antes de verbo nunca há crase — "começou a praticar" (b)
- Antes de pronome pessoal nunca há crase — "Pedi a ela" (c)
- Antes de plural sem artigo definido não há crase — "próximo a pessoas" (d)
- Antes de numeral em expressão de tempo futuro não há crase — "daqui a quinze minutos" (e)
Esse último é o mais cobrado de todos: "daqui a pouco", "daqui a três dias" — nunca com crase.
Questão 2 — Concordância verbal (ESA 2015)
Das frases a seguir, a única inteiramente de acordo com as regras de concordância verbal é:
(a) A rede de coleta e de tratamento de esgoto possuem tubulações mais estreitas...
(b) Na sala de aula, haviam inúmeros quadros de artistas renomados.
(c) Ocorreram, naquele mesmo ano, acontecimentos extraordinários.
(d) Podem trazer sérias consequências ao planeta a falta de cuidados com o ambiente.
(e) O técnico e o presidente da empresa chegou muito cedo ao local.
Resolução. Em (c), o sujeito é acontecimentos extraordinários — plural. Ele aparece depois do verbo, mas isso não muda nada: o verbo concorda com o sujeito onde quer que ele esteja. Ocorreram está certo.
Resposta: (c)
A armadilha. Cada alternativa errada testa uma regra diferente:
- (a) O sujeito é a rede (singular). Os complementos "de coleta e de tratamento de esgoto" não mudam o núcleo. Correto: possui.
- (b) Haver no sentido de existir é impessoal — não tem sujeito, fica sempre no singular. Correto: havia.
- (d) O sujeito é a falta (singular). Correto: pode.
- (e) Sujeito composto (o técnico e o presidente) antes do verbo pede plural. Correto: chegaram.
O item (b) é o campeão de erro da prova inteira. Grave: haver = existir → sempre singular. "Havia dez pessoas", nunca "haviam dez pessoas".
Questão 3 — Concordância nominal (ESA 2019)
Com relação ao plural de adjetivos compostos, assinale a alternativa que apresenta uma forma INCORRETA:
(a) institutos afro-asiáticos.
(b) letras anglo-germânicas.
(c) uniformes verdes-olivas.
(d) canários amarelo-ouro.
(e) consultórios médico-cirúrgicos.
Resolução. Atenção ao enunciado: ele pede a forma incorreta. Ler rápido aqui já custa a questão.
A regra geral dos adjetivos compostos: só o último elemento vai para o plural. Por isso afro-asiáticos, anglo-germânicas e médico-cirúrgicos estão certos.
Mas há uma exceção decisiva: quando o segundo elemento é um substantivo, o adjetivo composto fica invariável. Oliva é substantivo, ouro é substantivo. Logo:
- "uniformes verde-oliva" — invariável
- "canários amarelo-ouro" — invariável
A alternativa (c) flexionou os dois elementos ("verdes-olivas"), o que está errado.
Resposta: (c)
A armadilha. A (d) está lá justamente para você achar que também é erro — "amarelo-ouro" parece que deveria ser "amarelos-ouros". Não deveria: é a mesma regra da (c), aplicada corretamente. Quem não sabe a exceção do substantivo marca (d) e perde o ponto.
Questão 4 — Colocação pronominal (ESA 2022)
Na oração "Me empresta o coturno." há um clássico desvio da norma culta. Marque a alternativa que corrige tal desvio e que analisa correta e sintaticamente o vocábulo "me":
(a) "Empresta-me o coturno" – objeto indireto
(b) "Me empreste o coturno" - pronome pessoal oblíquo átono
(c) "Empreste-me o coturno" – objeto direto e indireto
(d) "Empresta-me o coturno" – partícula denotativa de pessoa
(e) "Me empresta o coturno" – objeto direto
Resolução. A questão cobra duas coisas de uma vez, e você precisa acertar as duas.
Primeiro, a colocação. A norma culta não admite pronome átono iniciando a oração. Como não há nada atraindo a próclise, o pronome vai para depois do verbo — ênclise: "Empresta-me o coturno". Isso já elimina (b) e (e).
Segundo, a função sintática. O verbo emprestar é transitivo direto e indireto: quem empresta, empresta algo (objeto direto) a alguém (objeto indireto). O coturno é o objeto direto. O me equivale a "a mim" — portanto objeto indireto.
Resposta: (a)
A armadilha. A alternativa (c) tem a colocação certa mas erra a análise, chamando o "me" de "objeto direto e indireto" ao mesmo tempo — impossível. E (d) inventa uma categoria que não existe nesse contexto. Em toda questão de dois comandos, confira os dois antes de marcar: uma metade certa não vale meio ponto.
Questão 5 — Interpretação e polissemia (ESA 2025)
A palavra "próximo" é polissêmica e, para que haja uma clara interpretação, é preciso entender o seu contexto. Marque a alternativa em que haja um sentido que não está exposto na palavra em destaque no fragmento, mas a substituiria na frase: "no próximo mês, haverá aula."
(a) Paralelo. (b) Contíguo. (c) Anterior. (d) Pretérito. (e) Vigente.
Resolução. Esta é uma questão de enunciado torto, e faz parte do treino aprender a destrinchar isso.
No fragmento, próximo tem sentido temporal: o mês seguinte, o que vem. A questão quer a alternativa que traz outro sentido legítimo da palavra próximo — um que ela também pode ter, mas não tem ali.
Próximo também significa vizinho, adjacente. E o sinônimo disso, entre as opções, é contíguo.
As demais nem sequer são sinônimos de próximo em qualquer acepção: paralelo, anterior, pretérito e vigente estão fora do campo semântico da palavra.
Resposta: (b)
A armadilha. A dificuldade real aqui não é vocabulário, é decodificar o comando. Quando um enunciado da banca vier truncado, isole o que ele está pedindo em uma frase própria antes de olhar as alternativas — neste caso: "qual é outro sentido de próximo?".
Pegadinhas de português que a banca repete
Além das cinco acima, há padrões que reaparecem edição após edição:
- Enunciado pedindo o INCORRETO. Aparece em maiúsculas justamente porque muita gente ignora. Circule essa palavra antes de ler as alternativas.
- Vírgula separando sujeito e verbo. Nunca se separa o sujeito do verbo nem o verbo do complemento. Em "Márcia, comprou, os últimos livros" (ESA 2015) as duas vírgulas estão erradas — e essa construção parece natural para quem lê em voz alta.
- Verbos impessoais. Haver (existir) e fazer (tempo decorrido) não têm sujeito e ficam no singular: "havia dez alunos", "fazia dez anos".
- Questões de comando duplo. Corrigir e classificar, como na Questão 4. As alternativas erradas costumam acertar metade.
- Sujeito posposto. Quando o sujeito vem depois do verbo, a concordância continua valendo. "Ocorreram acontecimentos", não "ocorreu acontecimentos".
Nenhuma dessas exige teoria avançada. Exige tê-las visto antes — o que é exatamente o que o treino com provas anteriores entrega.
Treine com questões que já caíram na ESA
Ler resolução comentada mostra o caminho, mas não treina a decisão sob pressão. Na prova você tem cerca de 4,8 minutos por questão, sem consulta, com cinco alternativas parecidas competindo pela sua atenção.
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FAQ
Quantas questões de português caem na ESA?
São 14 questões de Português em 50 no Exame Intelectual da Área Geral — 28% da prova, mesmo peso de Matemática. Confirme sempre no edital vigente.
Quais assuntos de português mais caem na ESA?
Sintaxe e funções sintáticas, concordância verbal e nominal, crase, colocação pronominal, pontuação, morfologia e acentuação, interpretação de texto e literatura brasileira.
Cai literatura na prova de português da ESA?
Sim, aparecem questões sobre escolas literárias e suas características — Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Modernismo. Não é o bloco de maior peso, mas é conteúdo objetivo e de resposta rápida.
Qual é o assunto de português que mais derruba candidato?
Concordância verbal com verbos impessoais (haver e fazer) e crase antes de numeral em expressão de tempo ("daqui a pouco"). São regras que contrariam a fala cotidiana, então a intuição atrapalha em vez de ajudar.
Como estudar crase de forma rápida?
Aprenda primeiro os casos em que a crase é proibida — antes de verbo, de pronome pessoal, de palavra masculina e de plural sem artigo definido. Eliminar o que é proibido resolve a maioria das questões sem precisar analisar regência.
As questões deste artigo caíram mesmo na prova?
Sim. As cinco são de provas anteriores da ESA, das edições de 2015, 2018, 2019, 2022 e 2025, com o gabarito oficial.
Vale a pena decorar regra de gramática?
Vale para as regras fechadas, com pouca exceção — impessoalidade de haver, casos proibidos de crase, plural de adjetivo composto. Para sintaxe e interpretação, decorar não resolve: é preciso praticar análise em questões variadas.
Conclusão
O que derruba candidato em Português na ESA não é conteúdo obscuro — é a distância entre a língua que você fala e a norma que a banca cobra. As cinco questões deste artigo mostram isso: em todas, a alternativa que "soa certa" é justamente a errada.
O caminho é inverter o método. Em vez de estudar gramática do começo ao fim, resolva questões de provas anteriores, anote cada regra que te pegou e volte à teoria só naquele ponto. É mais rápido e ataca exatamente o que a banca cobra.
Para saber onde você está agora, faça um simulado grátis no formato da ESA e compare seu acerto em Português com o de Matemática. Depois siga pelos guias da ESA para fechar as demais matérias.