Você descobriu que a prova do Colégio Militar tem uma produção textual de 15 a 30 linhas e a reação natural foi procurar um professor de redação. Faz sentido — redação assusta, e trinta linhas parecem pouco espaço para dizer alguma coisa.

Antes de contratar qualquer coisa, porém, você precisa saber de uma regra que muda completamente quanto tempo vale investir nisso: a produção textual não soma pontos. Ela é apto ou inapto. Este guia explica o que isso significa na prática, como estruturar o texto dentro do limite, e como treinar na medida certa — sem gastar nela o tempo que decide a vaga.

A regra que define tudo: apto ou inapto

Na edição mais recente, a prova teve esta estrutura:

Componente Formato Pontuação
Matemática 20 questões objetivas até 10 pontos
Língua Portuguesa 20 questões objetivas até 10 pontos
Produção Textual Texto de 15 a 30 linhas Apto / Inapto

Duas regras se combinam aqui.

Primeira: a produção textual só é corrigida para quem alcança nota mínima 5 em Matemática e 5 em Português, separadamente. Se a criança ficar abaixo do corte em qualquer uma das objetivas, o texto não chega a ser lido.

Segunda: ela é eliminatória, não classificatória. O resultado sai apenas como "Apto" ou "Inapto". Um texto excelente não soma um ponto sequer e não melhora a posição na lista de classificação.

Junte as duas e o quadro fica claro: a produção textual é um portão a atravessar, não um trampolim. A classificação inteira se decide nas 40 questões objetivas. Para o detalhe, veja nota de corte do Colégio Militar.

O que isso significa para o seu cronograma

Aqui está o conselho prático que decorre da regra, e que contraria o instinto de muita família:

Uma produção textual por semana, corrigida, é suficiente.

Não é descaso — é alocação correta. A criança precisa chegar competente ao texto, porque um texto inapto elimina. Mas o ganho marginal para além de "apto" é zero pontos. Cada hora adicional investida em redação além do necessário é uma hora que não foi para as 40 questões que definem a vaga.

Família que contrata reforço só de redação enquanto a criança tem dificuldade em Matemática está investindo exatamente no ponto de menor retorno.

O que é pedido: um texto, não uma dissertação de vestibular

Vale calibrar a expectativa. Estamos falando de uma criança de 10 ou 11 anos, no 5º ano, escrevendo entre 15 e 30 linhas.

O que se espera é um texto coerente, coeso, dentro do tema proposto e da norma culta, com começo, meio e fim claros. Não se espera repertório sociológico, citação de autor nem tese sofisticada — isso é vestibular de ensino médio, outra realidade.

Os critérios exatos de avaliação constam do edital de cada edição. Confira o seu.

A estrutura que cabe em 15 a 30 linhas

Com esse limite, três parágrafos costumam funcionar melhor que cinco:

Parágrafo Função Extensão aproximada
Introdução Apresentar o assunto e o que o texto vai dizer 3 a 5 linhas
Desenvolvimento Desenvolver a ideia central com exemplo ou explicação 8 a 15 linhas
Conclusão Fechar a ideia 3 a 5 linhas

Se o tema pedir, o desenvolvimento pode virar dois parágrafos menores. Mas nunca mais que isso: em 30 linhas, quatro ideias viram quatro frases soltas.

Três decisões que o limite impõe:

Ir direto ao ponto. Não há linhas para introdução ornamental. Nada de "desde os primórdios" ou "nos dias de hoje". A ideia central precisa aparecer logo.

Desenvolver, não listar. Duas ideias bem desenvolvidas superam cinco mencionadas de passagem. É o erro mais comum e o mais fácil de corrigir.

Fechar de verdade. Conclusão que apenas repete a introdução desperdiça o espaço mais valioso do texto.

Como desenvolver de verdade

"Desenvolver" é a palavra que mais aparece nas correções e a que menos gente sabe executar. Na prática, são três movimentos dentro do parágrafo:

  1. Afirmar — a ideia, numa frase clara
  2. Explicar ou exemplificar — por que isso é assim, ou um exemplo concreto
  3. Amarrar — conectar de volta ao tema

O erro típico é fazer só o primeiro movimento e passar adiante. O resultado é um texto que enumera opiniões em vez de sustentá-las.

O teste é simples: depois de afirmar, a criança respondeu "por quê?" ou "como assim?". Se não respondeu, o parágrafo não está desenvolvido.

Os erros que mais custam

Fugir ao tema. O mais grave. Leia o tema duas vezes e sublinhe o recorte exato.

Estourar ou não atingir o limite. São 15 a 30 linhas. Escrever 12 ou 34 é problema de planejamento, e se resolve treinando em folha pautada.

Erros de norma culta. Concordância, pontuação, ortografia e acentuação contam — é a mesma gramática das objetivas, agora aplicada à escrita. Veja como estudar português para o Colégio Militar.

Letra ilegível. Corretor que não consegue ler não pontua o que não leu. Vale treinar caligrafia se for o caso.

Escrever sem planejar. Dois minutos rabiscando as ideias antes de começar economizam rasuras e evitam o texto que se perde no meio.

Como treinar na medida certa

  1. Um texto por semana, ao longo dos meses de preparação. Frequência vence volume concentrado.
  2. Sempre em folha pautada, contando linhas. A criança precisa desenvolver a noção física do que cabe em 15 a 30 linhas antes do dia da prova.
  3. Sempre cronometrado, dentro do tempo que ela reservaria na prova real.
  4. Sempre corrigido — por professor, por um adulto que escreva bem, ou por ela mesma com uma lista de critérios, alguns dias depois. Escrever sem correção consolida os próprios vícios.
  5. Reescrever o mesmo tema depois da correção. Refazer com a crítica em mãos ensina mais que começar um tema novo.
  6. Treinar dentro da simulação completa. Escrever descansado num domingo não prepara para escrever depois de 40 questões objetivas, com o relógio correndo. São cerca de quatro horas e meia no total.

Esse último ponto é o mais negligenciado e o mais útil: a criança precisa aprender a reservar o tempo da redação antes, e não deixá-la para os últimos quinze minutos.

Para treinar as objetivas — que decidem se o texto será corrigido e definem a classificação —, faça um simulado grátis com desempenho por matéria.

FAQ

Como é a produção textual do Colégio Militar?

Um texto de 15 a 30 linhas, avaliado apenas como "Apto" ou "Inapto". Ela é corrigida somente para os candidatos que alcançam nota mínima 5 em Matemática e 5 em Português nas objetivas.

Quantas linhas tem a redação do Colégio Militar?

De 15 a 30 linhas. Escrever menos que o mínimo ou mais que o máximo é problema, então treine sempre em folha pautada contando linhas.

A redação do Colégio Militar soma pontos?

Não. Ela é eliminatória, não classificatória: sai como apto ou inapto e não altera a posição na classificação, que é definida pelas 40 questões objetivas.

A redação serve de desempate?

Não. Os critérios de desempate são a maior pontuação em Matemática, depois em Português, e por último a maior idade. A redação não entra nesse cálculo.

Quanto tempo devo dedicar à redação?

Um texto por semana, escrito e corrigido, é suficiente. Como ela não soma pontos, o grosso do tempo deve ir para as objetivas — que decidem inclusive se o texto será lido.

Que estrutura usar?

Três parágrafos costumam funcionar bem no limite de 15 a 30 linhas: introdução curta, desenvolvimento com a ideia central explicada ou exemplificada, e conclusão que fecha.

Precisa de professor de redação?

Não necessariamente, mas o texto precisa ser corrigido por alguém. Escrever sem correção repete os mesmos vícios. Um adulto que escreva bem, com uma lista de critérios, resolve.

E se meu filho escrever bem, mas for mal em matemática?

Ele é eliminado antes de o texto ser lido. A nota mínima de 5 em cada objetiva é condição para a correção da produção textual — não há compensação.

Conclusão

A produção textual do Colégio Militar é um texto de 15 a 30 linhas avaliado como apto ou inapto. Ela precisa estar boa, porque um texto inapto elimina — mas ela não soma pontos e não melhora a posição na classificação.

Isso define exatamente quanto investir: uma redação semanal, em folha pautada, cronometrada e corrigida, ao longo dos meses. Estrutura de três parágrafos, introdução sem enfeite, desenvolvimento que explica em vez de listar, conclusão que fecha.

E o mais importante: a produção textual só é lida por quem passa nas objetivas. Investir nela mais do que o necessário, enquanto Matemática ou Português estão abaixo do corte, é o erro de alocação mais comum das famílias que preparam essa prova.

Confirme o formato e os critérios no edital vigente. Faça um simulado grátis para treinar as objetivas que decidem a vaga e veja mais material no blog.