Você terminou o ensino médio — ou está terminando — e quer uma carreira estável, com salário digno desde o primeiro dia e progressão clara. A carreira militar entrega exatamente isso, mas na hora de pesquisar surge o labirinto: ESA, EEAr, EAM, EsPCEx, AFA, Colégio Naval... siglas demais, e pouca clareza sobre qual delas cabe no seu perfil, na sua idade e no seu momento.
Este guia desfaz o nó: lista os concursos militares das Forças Armadas acessíveis com ensino médio (e um com fundamental), compara idade, o que cada um forma e o estilo de prova, e termina com um roteiro pra você escolher o alvo e começar a estudar hoje. As faixas de idade usam as referências mais recentes de cada concurso — a contagem exata de datas muda por edição, então confirme sempre no edital vigente.
Os concursos militares de nível médio num quadro só
Comece pelo panorama. Todos os concursos abaixo são das Forças Armadas, oferecem remuneração já durante o curso de formação e exigem, no máximo, o ensino médio:
| Concurso | Força | O que forma | Escolaridade | Idade (referência) |
|---|---|---|---|---|
| ESA | Exército | Sargento de carreira | Ensino médio | 17 a 24 anos |
| EEAr | Aeronáutica | Sargento de carreira | Ensino médio | 17 a 24 anos |
| EAM | Marinha | Marinheiro (praça) | Ensino médio | 18 a 21 anos |
| EsPCEx | Exército | Cadete — oficial via AMAN | Ensino médio | 17 a 22 anos |
| AFA | Aeronáutica | Oficial da Aeronáutica | Ensino médio | 17 a 22 anos |
| Colégio Naval | Marinha | Aluno do CN — caminho pra oficial | Ensino fundamental | 15 a 18 anos |
O Colégio Naval entra na lista com um asterisco: ele exige apenas o ensino fundamental, porque o próprio CN é o ensino médio do aluno — cursado dentro da Marinha, com caminho natural pra Escola Naval e a carreira de oficial.
Praça ou oficial: a primeira decisão
Antes de escolher a sigla, escolha a carreira. Os seis concursos se dividem em dois grupos:
Carreiras de praça e graduado — ESA, EEAr e EAM. Formação mais curta (de meses a dois anos), entrada mais rápida no soldo e na estabilidade. O sargento (ESA, EEAr) sai da escola já graduado, com progressão até suboficial/subtenente; o marinheiro (EAM) inicia a carreira de praça da Marinha com progressão por cursos internos.
Carreiras de oficial — EsPCEx, AFA e Colégio Naval. Formação longa (a EsPCEx dá acesso à AMAN, num total de cinco anos até aspirante; a AFA são quatro anos; o CN ainda passa pela Escola Naval). Em troca, o teto de carreira e de remuneração é bem maior — a progressão vai de tenente a coronel e além.
Não existe escolha "melhor": existe a troca entre chegar rápido (praça) e chegar mais alto (oficial). Sua idade, sua pressa e seu apetite por anos de academia militar decidem.
Concurso por concurso, em uma dose rápida
ESA — o maior volume de vagas do Exército (1.100 na edição 2026), prova objetiva de conteúdo do ensino médio mais redação, e edital tipicamente no primeiro semestre com prova em julho. O guia completo está em como passar na ESA.
EEAr — sargento da Força Aérea, com a vantagem rara de duas seleções por ano: perdeu uma janela, a próxima está a meses, não a um ano. Prova de quatro matérias com forte peso em exatas nas especialidades técnicas. Comece por como passar na EEAr.
EAM — a porta de entrada de praças da Marinha, com volume alto de vagas (850 na edição recente) e prova de 50 questões com nota mínima por disciplina. Atenção à janela etária curta (18 a 21 na referência) e às inscrições, que costumam abrir na virada do ano. Veja como passar na EAM.
EsPCEx — o caminho do oficial do Exército: um ano em Campinas e acesso à AMAN. Prova em dois dias, oito matérias mais redação eliminatória, com exatas pesando muito. Guia em como passar na EsPCEx.
AFA — oficiais da Aeronáutica (aviação, intendência, infantaria), concurso anual com prova por volta de julho, forte em matemática e física, mais redação. Concorrência dura pela quantidade menor de vagas.
Colégio Naval — pra quem tem 15 a 18 anos: ensino médio gratuito dentro da Marinha e trilha pra carreira de oficial. A prova, aplicada tipicamente em agosto, tem fama justa de matemática exigente.
Como escolher pelo seu perfil
Três perguntas resolvem a maioria dos casos:
- Qual é a sua idade? Ela elimina opções sozinha. Com 15 a 17: Colégio Naval está aberto — e é a única janela que fecha tão cedo. De 18 a 21: tudo está na mesa. De 22 a 24: o foco natural são ESA e EEAr.
- Praça ou oficial? Se a resposta é "quero estabilidade e soldo logo", ESA, EEAr e EAM. Se é "quero o topo da carreira e aceito anos de academia", EsPCEx, AFA ou a trilha do CN.
- Onde você rende mais: exatas ou prova equilibrada? EsPCEx e AFA premiam quem domina matemática e física. ESA, EEAr e EAM têm provas de conteúdo médio mais equilibradas entre português, matemática e demais matérias — sem serem fáceis: a concorrência é alta em todas.
E não trate as opções como excludentes: os requisitos se sobrepõem, as matérias também, e prestar dois ou três concursos no mesmo ciclo multiplica suas chances quase sem custo extra de estudo. As épocas de cada edital estão organizadas no calendário de concursos militares.
Como começar a estudar hoje
O núcleo de todos esses concursos é o mesmo — português e matemática do ensino médio, com blocos de física, química, inglês, história e geografia variando por prova. O método também é o mesmo:
- Escolha um alvo principal (e até um secundário compatível).
- Monte um ciclo de estudos com peso proporcional às questões de cada matéria.
- Resolva questões desde a primeira semana — teoria sem questão não vira nota em concurso nenhum.
- Simule a prova em condições reais: cronômetro, sem consulta, e correção por matéria pra saber exatamente onde investir a próxima semana.
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FAQ
Quais concursos militares exigem só o ensino médio?
Nas Forças Armadas, os principais são ESA (sargento do Exército), EEAr (sargento da Aeronáutica), EAM (marinheiro), EsPCEx (oficial do Exército via AMAN) e AFA (oficial da Aeronáutica). O Colégio Naval exige apenas o ensino fundamental, pois o próprio colégio é o ensino médio do aluno.
Qual concurso militar de nível médio é mais fácil de passar?
Nenhum é fácil, mas o volume de vagas muda a conta: ESA e EAM ofertaram, nas referências recentes, 1.100 e 850 vagas, e a EEAr soma duas seleções por ano. EsPCEx e AFA têm menos vagas e provas mais pesadas em exatas, o que eleva a régua da concorrência.
Até que idade posso prestar concurso militar com ensino médio?
Nas referências recentes: ESA e EEAr aceitam até 24 anos, EsPCEx e AFA até 22 e a EAM até 21. A contagem costuma considerar a idade na data da matrícula ou em 31 de dezembro do ano dela — confirme a regra exata no edital vigente da sua edição.
Concurso militar de nível médio paga durante o curso?
Sim. Nos cursos de formação dessas escolas, o aluno já recebe remuneração mensal, além de alimentação, alojamento, uniforme e assistência médica. Os valores variam por força e graduação — consulte as tabelas vigentes e o edital do seu concurso.
Preciso ter concluído o ensino médio pra me inscrever?
Em regra, você pode se inscrever ainda cursando o último ano, desde que comprove a conclusão até a matrícula na escola militar. É o que permite prestar o concurso no mesmo ano em que termina a escola — mas confirme a exigência exata no edital da sua edição.
Mulheres podem prestar esses concursos?
Sim — os concursos das escolas militares têm vagas femininas, com distribuição que varia por edição, área e força. Verifique no edital vigente o quantitativo e os índices específicos (como os do teste físico) para o sexo feminino.
Conclusão
Com ensino médio — e até com fundamental, no caso do Colégio Naval — você tem seis portas de entrada nas Forças Armadas: ESA, EEAr e EAM pra quem quer carreira de praça e entrada rápida, EsPCEx, AFA e CN pra quem mira a carreira de oficial. A escolha certa sai de três filtros — idade, praça ou oficial, perfil de prova — e a aprovação sai de um só método: estudo com peso proporcional à prova, questões desde a primeira semana e simulados em condições reais. Escolha seu alvo, confirme os requisitos no edital vigente e faça seu primeiro simulado grátis: a diferença entre querer a farda e vesti-la é o treino que começa hoje.